" Os partidários do não afirmam que as perseguições não existiram ou foram insignificantes; isto não é verdade. Só nos últimos 8 anos, 30 mulheres foram julgadas e algumas foram mesmo condenadas. Foram sujeitas a exames medico-legais humilhantes e viram as suas vidas e a sua privacidade expostas publicamente. Nada disso bastou para que as mulheres deixassem de recorrer ao aborto, Sabemos hoje que as leis repressivas nestas matéria também são ineficazes. Se a lei não é para ser aplicada, porquê mantê-la?
- Para quê manter uma lei que promove a clandestinidade, a insegurança, a especulaçao e a fuga ao fisco? A vitória do SIM permitirá o alargamento e aperfeiçoamento da lei existente, permitindo que a mulher possa, até às 10 semanas e a seu pedido, interromper uma gravidez que não deseja, sem que por isso seja perseguida e condenada. A vitória do SIM implicará a regulamentação da lei de forma a que a mesma seja aplicada de forma efectiva e transparente nos estabelecimentos de saúde.
- Nos últimos 8 anos que passaram desde o primeiro referendo mais de 150 mil mulheres recorreram ao aborto. A maior parte em Portugal, muitos milhares em Espanha. Abortaram fora dos serviços de saúde e sem supervisão médica, informação ou apoio psicológico. A maioria passou sozinha por esta situação. 20% das mulheres tiveram problemas pós-aborto. Milhares, incluindo muitas adolescentes, tiveram de ser atendidas e internadas nos hospitais.
- Entre 1995 e 2004, 13 mulheres morreram em consequência de abortos mal feitos. Em 2005, quase mil mulheres foram internadas por complicações de aborto ilegal e estima-se que pelo menos mais de 3000 tenham sido internadas por esta causa. Após o aborto, a maioria não teve qualquer orientação para serviços de planeamento familiar.
- Os nossos impostos andam há muito a pagar as consequências dos abortos clandestinos. A vitória do SIM permitirá que a IVG seja feita de forma segura e acompanhada nos estabelecimentos de saúde. Até hoje, nenhum pais viu os seus serviços de saúde entrarem em colapso, tendo-se verificado diminuição do número de abortos à medida que a nova lei foi sendo aplicada.
O facto de existir uma lei que permite a despenalização do aborto até às 10 semanas não obriga ninguém a abortar. A vitória do SIM não impõe uma única posição sobre algo que é do foro íntimo. Permite a diversidade de opções religiosas e a possibilidade de escolha em questões vitais.
Respeita o direito de consciência. "
http://cidadaniapelosim.org